Projeto Visão em Dia chega à APAE de Ferraz de Vasconcelos e atende alunos que nunca haviam recebido cuidado oftalmológico

Franco Douglas Lima Dias
Franco Douglas Lima Dias

Nos últimos anos, iniciativas de saúde preventiva voltadas para populações vulneráveis ganharam espaço no debate público, mas raramente chegam com a consistência necessária para alcançar quem mais precisa. O Projeto Visão em Dia, idealizado por Franco Douglas Lima Dias por meio do Instituto Visão Conectada, é um desses casos em que a chegada do serviço transforma uma realidade que, sem intervenção externa, permaneceria inalterada. A visita à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Ferraz de Vasconcelos é um exemplo concreto do que acontece quando um programa como esse encontra um público que nunca havia tido acesso a atendimento oftalmológico especializado.

Na ocasião, 18 óculos foram entregues aos alunos da instituição, todos resultado de avaliações individualizadas realizadas durante a ação. Para a diretora da APAE, Lara Benute, a chegada do programa representou algo que a instituição não conseguiria oferecer com seus próprios recursos: “Nossa APAE realmente precisa de ajuda. Todos os alunos que foram beneficiados não tinham condições financeiras para pagar uma consulta.”

O que aquela ação revelou, no entanto, foi além do número de óculos entregues.

O que a triagem encontrou dentro da APAE?

Durante o atendimento, dois alunos foram diagnosticados com ceratocone, doença degenerativa da córnea que avança de forma silenciosa e que exige equipamentos específicos para ser identificada. Nenhum deles tinha histórico oftalmológico anterior. Uma mãe presente descobriu naquele momento que o filho tinha miopia, condição que nunca havia sido detectada, apesar de já comprometer sua rotina.

Conforme relatado pela diretora Lara Benute, aqueles diagnósticos só foram possíveis porque o atendimento chegou até a instituição. Sem a triagem realizada pelo Projeto Visão em Dia, as condições identificadas seguiriam avançando sem que ninguém soubesse que existiam. Para Franco Douglas Lima Dias, que desenvolveu ceratocone por falta de diagnóstico precoce, encontrar a mesma doença em crianças daquela instituição traduz com precisão o propósito que deu origem ao programa.

Por que as APAEs concentram uma demanda que o sistema público raramente alcança?

As APAEs atendem crianças e jovens com deficiência intelectual e múltipla, um público que depende de cuidados especializados em diversas frentes e que, na maioria dos casos, não dispõe de recursos para acessar serviços de saúde fora do que o sistema público oferece. A saúde ocular raramente figura entre as prioridades atendidas nessas instituições, não por negligência, mas porque a demanda é extensa e os recursos são limitados.

Franco Douglas Lima Dias

O resultado é uma lacuna que permanece invisível até que alguém chegue com a estrutura adequada para mapeá-la. Na avaliação de Franco Douglas Lima Dias, a expansão do programa para instituições como a APAE representa exatamente esse movimento: chegar onde o acesso não existe e entregar o que aquelas crianças precisam no momento em que a intervenção ainda faz diferença.

Como o Projeto Visão em Dia se estrutura para atender instituições especializadas?

Atender uma APAE exige uma abordagem diferente da adotada em escolas regulares. O perfil dos alunos é mais complexo, as necessidades são mais específicas e a comunicação com as famílias demanda atenção redobrada. O programa, ao chegar à APAE de Ferraz de Vasconcelos, levou consigo a estrutura necessária para realizar triagens individualizadas e entregar correções adequadas a cada caso identificado.

Segundo informações sobre o projeto, a iniciativa já contemplou 18 unidades de ensino na região, ultrapassou 5 mil atendimentos realizados e distribuiu cerca de 2 mil óculos gratuitamente. A chegada às APAEs representa uma ampliação natural desse alcance, com um público que apresenta barreiras de acesso ainda maiores do que as encontradas nas escolas regulares.

O que muda para um aluno da APAE depois de receber o diagnóstico certo?

Para crianças com deficiência intelectual, a visão não corrigida representa uma barreira adicional em um percurso que já é mais desafiador. Muitas dessas crianças têm dificuldade de descrever o que percebem, não conseguem verbalizar que enxergam mal e acabam sendo avaliadas com base em comportamentos que mascaram a causa real de suas dificuldades. Uma triagem especializada resolve esse problema porque não depende do relato do paciente: ela identifica a condição diretamente.

Na ação realizada na APAE de Ferraz de Vasconcelos, cada óculos entregue representou uma condição corrigida antes de avançar ainda mais. Para as famílias presentes, foi também o primeiro contato com um serviço que reconheceu a necessidade daquela criança e respondeu a ela de forma concreta. Como pondera o idealizador do Visão em Dia, Franco Douglas Lima Dias, o objetivo do programa é garantir que nenhuma criança fique sem diagnóstico por falta de acesso, independentemente do ambiente em que estuda ou das condições que enfrenta.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez