Nike aposta em maratona de São Paulo para recuperar espaço nas ruas

Marca fecha parceria de longo prazo com uma das principais provas do país e mira retomada no mercado de tênis de corrida.

Quem acompanha o mercado esportivo brasileiro já percebeu que a Nike deixou de ser a única referência quando o assunto é tênis de corrida. Marcas como Asics, On e New Balance ganharam espaço nos últimos anos, tanto nas vitrines quanto nos pés de quem participa de provas de rua pelo país. Diante desse cenário, a pergunta que fica é simples: o que a gigante americana está fazendo para reverter essa perda de protagonismo? A resposta veio com o anúncio de que a marca se tornou patrocinadora master da SP City Marathon, uma das provas mais tradicionais do calendário nacional. A movimentação não é isolada e reflete uma estratégia mais ampla de reaproximação com o público corredor, que cresceu de forma expressiva no Brasil nos últimos anos.

A seguir, entenda os detalhes do acordo, o que muda para quem participa da prova e por que esse movimento diz muito sobre o momento do mercado de artigos esportivos no país.

Por que a Nike decidiu investir pesado agora

A Nike foi uma das pioneiras nos grandes patrocínios de provas de rua no Brasil há cerca de duas décadas, mas perdeu espaço nos últimos anos para marcas como Asics e Adidas, além de entrantes como Olympikus, New Balance e On. Diante dessa perda de relevância, a companhia decidiu reagir de forma concreta. Segundo o diretor de marketing da Fisia, distribuidora oficial da marca no Brasil, a SP City é vista como uma plataforma capaz de unir inovação, performance e experiência, colocando o corredor no centro da estratégia. Os valores do contrato não foram revelados, mas a parceria foi descrita como de longo prazo, o que indica um compromisso que vai além de uma única edição da prova. Bloomberg Linea

Até então, os direitos de nome da maratona pertenciam à suíça On, uma das marcas que mais cresceram no mercado global de corrida nos últimos anos. A troca de patrocinador master mostra como a disputa por visibilidade entre essas empresas tem se intensificado, especialmente porque a corrida de rua se consolidou como uma das atividades físicas que mais ganham adeptos no país. Não à toa, outras marcas globais também têm intensificado sua presença em provas brasileiras, o que torna o mercado de calçados de performance cada vez mais competitivo. Para o consumidor final, essa disputa costuma significar mais investimento em tecnologia, ativações e experiências ligadas às provas, o que tende a beneficiar diretamente quem participa das corridas.

Vale lembrar que a SP City completa dez anos em 2026 e já se consolidou como uma referência de organização, especialmente quando comparada a outras provas do país que enfrentam reclamações recorrentes sobre filas e congestionamento no percurso. Essa reputação foi um fator citado pela marca como decisivo para a escolha da prova. A expectativa é que o acordo sirva também como vitrine para o relançamento de tecnologias de amortecimento e estabilidade que a companhia vem desenvolvendo para atletas amadores e profissionais.

O que muda para quem vai correr a prova

A SP City Marathon será realizada em 26 de julho de 2026, é homologada pela World Athletics e possui Selo Ouro da Confederação Brasileira de Atletismo, o que reforça seu peso dentro do calendário nacional de corridas. Na edição mais recente, cerca de 25 mil atletas participaram das duas modalidades oferecidas, a maratona completa e a meia-maratona, números que ajudam a explicar o interesse crescente das marcas em associar seu nome ao evento. Com a chegada da Nike como patrocinadora master, a organização promete mudanças na logística da prova, incluindo um novo local para retirada de kits, que passa a ser feita em um espaço mais acessível do que o utilizado em edições anteriores. Bloomberg Linea

Esse tipo de ajuste pode parecer um detalhe pequeno, mas costuma pesar bastante na experiência de quem participa da corrida, já que a retirada de kits é uma das etapas mais criticadas pelos corredores em provas de grande porte. Além da mudança operacional, a parceria também deve trazer ativações voltadas à comunidade de corredores, seguindo um modelo que a marca já vinha testando em outras cidades brasileiras ao longo do último ano. Iniciativas do tipo costumam incluir treinos guiados e apresentação de novos modelos de tênis diretamente ao público que participa das provas, criando uma ponte entre o lançamento de produtos e a experiência de quem efetivamente compete.

Para quem pretende participar da SP City ou apenas acompanhar o movimento do mercado esportivo, o episódio serve como um retrato de como as grandes marcas têm disputado espaço em um segmento que só cresce no Brasil. A corrida já é a quarta atividade física mais praticada no país, com 14% de adesão da população, um avanço em relação aos 12% registrados em 2024, o que ajuda a explicar por que companhias como a Nike consideram estratégico reforçar sua presença justo agora. Exame

Independentemente de qual marca domine o pódio das preferências dos corredores, o episódio mostra que o mercado brasileiro de artigos esportivos vive um momento de forte disputa por relevância. Cresce o número de provas organizadas, aumenta a variedade de tênis voltados a diferentes perfis de corredor e as marcas passam a investir mais em experiência do que apenas em publicidade tradicional. Para quem pratica o esporte, a tendência é positiva: mais opções de calçados, mais eventos bem estruturados e mais atenção às necessidades específicas de cada tipo de corredor, do iniciante ao mais experiente.