Contabilidade em dia acelera a aprovação do crédito rural

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

Bancos recusam crédito rural por documentação incompleta, e, segundo Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, boa parte dessas recusas nasce meses antes do pedido, na forma como a contabilidade da propriedade foi mantida ao longo do ano, e não na análise de risco em si.

O crédito de custeio, essencial para bancar insumo, mão de obra e maquinário no início de cada safra, depende de um histórico contábil que comprove capacidade de pagamento e regularidade fiscal do produtor perante o banco ou a cooperativa credora. Continue lendo para saber mais! 

Reúna o histórico contábil dos últimos exercícios fechados

O primeiro passo é reunir o Livro Caixa ou o balanço da pessoa jurídica dos últimos exercícios já fechados, com receitas e despesas devidamente lançadas e conferidas contra os documentos originais que as sustentam.

Um histórico com lacunas, lançamentos genéricos ou meses sem movimentação registrada levanta dúvida imediata na análise de crédito, mesmo quando a propriedade opera normalmente e sem qualquer irregularidade real por trás dos números. Nesse sentido, Parajara Moraes Alves Junior recomenda revisar esse histórico com a mesma atenção dedicada à declaração anual de imposto de renda, item por item.

Confirme a regularidade fiscal antes de procurar o banco

Certidões negativas de débito, comprovação de recolhimento do ITR e ausência de pendência junto à Receita Federal são, em geral, exigidas logo na abertura do processo de crédito, e qualquer pendência aberta, mesmo pequena, atrasa a análise por semanas inteiras.

Verificar essas certidões com antecedência e resolver qualquer divergência antes de protocolar o pedido evita que o produtor descubra um problema fiscal justamente no momento em que precisa do dinheiro com mais urgência, no limite do calendário de plantio.

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

Organize os documentos que comprovam a capacidade produtiva

Além da contabilidade, bancos em geral pedem comprovação da área plantada, da posse da terra e do histórico de produtividade da propriedade, documentos que nem sempre estão centralizados num único lugar dentro da fazenda ou do escritório do produtor.

Reunir escritura ou contrato de arrendamento, CAR atualizado e registros de produtividade das últimas safras num único arquivo, físico ou digital, acelera bastante a análise e reduz a chance de o banco solicitar complemento de documentação no meio do processo. Parajara Moraes Alves Junior assinala que essa organização prévia tende a encurtar bastante o tempo total de aprovação do crédito.

Alinhe o valor solicitado com o que a contabilidade sustenta

Pedir um valor de crédito muito acima do que o histórico contábil da propriedade justifica gera desconfiança na análise do banco, mesmo quando o produtor tem um plano sólido para o uso do recurso na safra seguinte.

Calcular o valor solicitado com base no custo real de produção por hectare, e não em uma estimativa aproximada, dá ao pedido de crédito um lastro numérico que facilita bastante a aprovação, em vez de apenas repetir o valor pedido na safra anterior. Parajara Moraes Alves Junior observa que esse alinhamento entre pedido e histórico é, na prática, o que diferencia uma renovação tranquila de uma análise arrastada.

Antecipe a preparação para a próxima janela de crédito

Cada linha de crédito rural, seja de custeio, seja de investimento em maquinário, tem uma janela específica de abertura ligada ao calendário agrícola da região e da cultura plantada pelo produtor. Esperar o período de abertura da linha de crédito para só então organizar a documentação reduz bastante o tempo disponível para corrigir qualquer inconsistência encontrada pelo produtor ou identificada pelo próprio banco.

Manter essa rotina de organização ativa durante todo o ano, e não apenas na época de renovação, é o que garante que a próxima solicitação de crédito encontre a contabilidade da propriedade já pronta para qualquer análise que o credor decida fazer. Portanto, na avaliação de Parajara Moraes Alves Junior, essa antecedência pesa, em geral, tanto quanto o próprio histórico produtivo da fazenda na decisão final do banco.