Aumento no número de praticantes impulsiona novos modelos das principais marcas, dos treinos leves às provas de alta performance.
Quem pratica corrida, ou pensa em começar, costuma se deparar com uma dúvida bem comum: entre tantos lançamentos de tênis anunciados a cada ano, qual modelo realmente faz sentido para o seu tipo de treino? A pergunta ganhou ainda mais relevância em 2026, ano em que a corrida se consolidou como a quarta atividade física mais praticada no Brasil, com 14% de adesão da população, ante 12% registrados em 2024. O movimento não é só nacional: a corrida foi o exercício mais praticado no mundo em 2025, segundo o Relatório de Tendências Esportivas do Strava. Com mais gente correndo, a indústria de calçados ajustou o catálogo de lançamentos, o que ajuda a entender por que esse tema desperta tanto interesse entre quem já treina com regularidade.
Por que a corrida cresceu tanto no Brasil
O salto de 12% para 14% de adesão da população brasileira à corrida, de 2024 para 2026, reflete um movimento que vinha se desenhando havia alguns anos, impulsionado pela facilidade de começar a praticar o esporte sem grandes investimentos iniciais. Diferentemente de outras modalidades que exigem equipamentos específicos ou espaços fechados, a corrida pode ser iniciada com pouco mais do que um par de tênis adequado, o que reduz a barreira de entrada para novos praticantes em diferentes faixas etárias e níveis de condicionamento físico.
Esse crescimento também aparece refletido no comportamento da indústria esportiva, que passou a organizar seus lançamentos anuais em torno de public mais amplo e diverso. A prévia do The Running Event, principal feira do setor, apontou três tendências centrais para os lançamentos de 2026: o retorno de tênis focados em estabilidade para treinos, o crescimento de modelos sem placa de carbono voltados à rodagem e ao ritmo, e a continuidade dos chamados supertênis, destinados a provas e competições de alto rendimento. Essa segmentação ajuda a atender tanto o iniciante quanto o corredor mais experiente dentro do mesmo catálogo de marca.
Quais tendências marcam os lançamentos de tênis em 2026
Entre os modelos que se destacam nesse novo cenário, o Saucony Triumph 23 aparece como opção voltada a quem busca conforto, custo-benefício e versatilidade, priorizando amortecimento e estabilidade para treinos de maior volume semanal. Já para quem está começando a correr, o Nike Pegasus 41 se firma como referência, com entressola pensada para suportar impactos repetidos e atender desde caminhadas até corridas leves e moderadas, o que explica sua presença constante entre os mais vendidos da categoria.
No outro extremo, corredores mais experientes que buscam desempenho em provas encontram no Nike Vaporfly um dos chamados supertênis do mercado, com espuma de alta responsividade combinada a uma placa de carbono ao longo de toda a entressola. O Saucony Endorphin Speed 5 ocupa um espaço intermediário, voltado a treinos rápidos e estímulos de velocidade, enquanto o Merrell Agility Peak 6 atende quem prefere trilhas, com entressola mais alta e solado com cravos mais agressivos para terrenos irregulares. Essa variedade de propostas mostra como a indústria vem segmentando o catálogo conforme o objetivo de cada corredor.
Como escolher o tênis certo para o seu treino
Diante de tantas opções, o primeiro passo recomendado por especialistas do setor é identificar o próprio tipo de pisada, seja ela neutra, pronada ou supinada, o que pode ser feito por meio de um teste em loja especializada ou pela análise do desgaste da sola de um tênis já usado. Esse dado ajuda a filtrar boa parte dos modelos disponíveis e evita a escolha de um calçado inadequado ao movimento natural do pé durante a corrida.
Além da pisada, vale observar o ajuste do cabedal, a respirabilidade do material e o nível de amortecimento adequado ao peso do corredor, priorizando estabilidade lateral em casos de pronação mais acentuada. Para quem está estreando um modelo novo, a recomendação é sempre testar em treinos curtos antes de usá-lo numa prova oficial, reduzindo o risco de desconforto ou lesões causadas por um calçado ainda não adaptado ao pé.
O crescimento da corrida no Brasil deve manter a indústria de calçados atenta às demandas de diferentes perfis de corredor nos próximos lançamentos, equilibrando tecnologia de competição com opções mais acessíveis para quem está apenas começando a se exercitar.
Fontes consultadas: Exame, Agenda Bonifácio





