Cheias em Wisconsin reacendem alerta sobre a Linha 5 e ampliam pressão regulatória sobre a Enbridge

Cheias em Wisconsin reacendem alerta sobre a Linha 5 e ampliam pressão regulatória sobre a Enbridge, tema analisado por Paulo Roberto Gomes Fernandes no contexto da segurança energética.
Cheias em Wisconsin reacendem alerta sobre a Linha 5 e ampliam pressão regulatória sobre a Enbridge, tema analisado por Paulo Roberto Gomes Fernandes no contexto da segurança energética.

Paulo Roberto Gomes Fernandes informa que as cheias recentes registradas em rios do norte de Wisconsin reacenderam o debate em torno da segurança do oleoduto Enbridge Linha 5, especialmente no trecho que atravessa áreas próximas à Bad River Band. A erosão provocada pelo avanço das águas voltou a expor o duto instalado em 1953, aumentando a tensão entre autoridades estaduais, representantes indígenas, ambientalistas e a própria companhia canadense, que enfrenta múltiplas frentes judiciais relacionadas à continuidade da operação.

A decisão judicial proferida em 2023, que concedeu prazo até junho de 2026 para a retirada do oleoduto das terras tribais, passou a ser vista com preocupação crescente diante da intensificação de eventos climáticos extremos. Desde então, relatórios técnicos vêm apontando que o risco ambiental deixou de ser apenas hipotético, passando a exigir soluções estruturais mais rápidas e definitivas.

Erosão, litígios e o impasse nas terras indígenas

O trecho da Linha 5 que corta a reserva indígena de Bad River permanece como um dos pontos mais sensíveis do projeto. O plano apresentado pela Enbridge prevê o redirecionamento do oleoduto por um traçado alternativo de aproximadamente 66 quilômetros fora das terras tribais, investimento estimado em centenas de milhões de dólares. Esse projeto segue em análise pelos órgãos ambientais de Wisconsin, sem cronograma definitivo para conclusão.

Representantes da tribo sustentam que o avanço da erosão compromete a estabilidade do solo e ameaça diretamente cursos d’água superficiais e subterrâneos. Para eles, o prazo judicial vigente não oferece garantias suficientes diante do cenário climático atual. Já a Enbridge argumenta que está cumprindo todas as exigências regulatórias e que mantém planos de contingência para assegurar a operação até que o redirecionamento seja autorizado.

Michigan, o túnel e a alternativa técnica de maior consenso

Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que, paralelamente ao impasse em Wisconsin, a Enbridge avança em Michigan com o projeto do túnel sob o Lago de Michigan, considerado a solução de menor risco ambiental para substituir o trecho submerso do oleoduto. A proposta prevê a construção de um túnel de cerca de sete quilômetros, a aproximadamente 30 metros abaixo do leito do lago, permitindo a instalação do duto fora do contato direto com a água.

É nesse contexto que ganha relevância a tecnologia brasileira de lançamento de dutos em ambientes confinados, desenvolvida pela empresa Liderroll. O método tem sido analisado por engenheiros norte-americanos por permitir operações em túneis longos, com trechos em declive e aclive acentuados, reduzindo riscos durante a instalação e ao longo da vida útil do sistema.

A experiência brasileira como referência técnica

À frente da Liderroll, Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanha o caso da Linha 5 há vários anos, desde as primeiras consultas técnicas realizadas por engenheiros canadenses e americanos. Ao longo desse período, já participou de audiências públicas, reuniões técnicas e apresentações institucionais, nas quais foram demonstrados exemplos concretos de aplicações semelhantes realizadas no Brasil.

Como as cheias em Wisconsin intensificam o debate sobre a Linha 5 e a Enbridge é o foco do artigo com Paulo Roberto Gomes Fernandes.
Como as cheias em Wisconsin intensificam o debate sobre a Linha 5 e a Enbridge é o foco do artigo com Paulo Roberto Gomes Fernandes.

O desafio da Linha 5 não está apenas no contexto ambiental, mas na engenharia envolvida. O lançamento de um oleoduto em um túnel extenso, com variações significativas de inclinação, exige soluções já testadas em campo, algo que poucas empresas no mundo conseguem oferecer. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a previsibilidade técnica é um fator decisivo para projetos dessa magnitude, sobretudo em regiões sensíveis do ponto de vista ambiental.

Pressões políticas, ambientais e econômicas em curso

Enquanto os processos regulatórios seguem em andamento, o debate permanece intenso. Ambientalistas defendem o encerramento definitivo da Linha 5, citando o histórico de vazamentos da Enbridge ao longo das últimas décadas. Autoridades canadenses, por outro lado, continuam invocando tratados bilaterais que garantem o fluxo transfronteiriço de petróleo e gás, ressaltando os impactos econômicos de uma eventual interrupção.

Estudos apresentados por órgãos governamentais indicam que o fechamento abrupto da Linha 5 poderia gerar aumento no custo de combustíveis, perda de empregos e maior circulação de caminhões e trens transportando cargas perigosas, o que também elevaria o risco ambiental. Diante desse cenário, a alternativa do túnel tem sido tratada como um caminho intermediário entre segurança energética e mitigação de impactos.

Um problema que segue aberto

Às vésperas de 2026, a Linha 5 permanece como um dos projetos de infraestrutura mais controversos da América do Norte. As cheias em Wisconsin reforçaram a urgência de decisões técnicas e regulatórias, enquanto o avanço do projeto do túnel em Michigan mantém viva a expectativa de uma solução estrutural mais segura.

Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a condução do caso da Linha 5 tende a se tornar referência internacional sobre como conciliar engenharia, meio ambiente e segurança energética em contextos complexos. A forma como esse impasse será resolvido deverá influenciar decisões semelhantes em outros países que enfrentam desafios parecidos em suas malhas de oleodutos e gasodutos.

Autor: Bertolucci Swatt